O Porto Oriental no final do século XIX
1 Comments Publicado por POS - sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008 às 13:47.
Foi com muita pena que não pude assistir à apresentação de "O Porto Oriental no final do século XIX", do Jorge Ricardo Pinto. Terei agora (desculpem-me o uso de um dos mais horrendos chavões do desportivês) de correr atrás do prejuízo (quem corre atrás do prejuízo?!... foge-se do dito, isso sim, havendo engenho ou sorte, conforme as circunstâncias). Enfim, sem mais divagações, o autor, pelo que já nos habituou na blogosfera, particularmente no saudoso Avenida dos Aliados, mais do que um geógrafo urbano que estudou determinado período da evolução do Porto, é um apaixonado pela nossa cidade (e dragão, evidentemente!). Por isso, é impossível que não valha a pena, pelo que estou à vontade para recomendar às cegas.
Fidel sai de uma cena que já havia abandonado, e as alvíssaras ecoam pela blogosfera lusa, ufana da liberdade universal e de um sistema de harmonia auto-regulada aplicado a todo o mundo. Ora, parece evidente que o regime de Cuba, com toda a propriedade castrador e esclerosado, não presta. Uma revolução que triunfou enquanto quintal distante da União Soviética, que resistiu em quase asfixia ao fim da Guerra Fria e recebe algum oxigénio pago pelo petróleo do amigo Chávez, tem fracas perspectivas de sobrevivência. Mas a alegria generalizada é um disparate. Passo a passo, a ilha tenderá a ser, de novo, um quintal dos Estados Unidos. O Capitólio mantém-se, orgulhosamente, de pé, e todos os sucedâneos de Michael Corleone estão à espreita para recuperar o que julgam ter sido deles por direito divino. Quanto aos cubanos, ficarão sempre na merda, talvez com mais coca-colas, hamburguers e neon lights importadas de Vegas.
Portugal é um país pequeno, mais pequeno ainda é o país que nos mostra a televisão, chamando-lhe de igual modo Portugal. É o país que não se preocupa com a possibilidade de, sei lá quando, a Área Metropolitana de Lisboa vir a albergar 45% da população nacional (disseram-no no "Prós & Contras" não como quem anuncia uma catástrofe nacional, a do esvaziamento do país, mas como um problema urbano que requer soluções), é o país que ouve atentamente um tipo qualquer, no mesmo espaço, a dizer que uma nova travessia do Tejo vai aproximar o Norte do Sul, isto é, Lisboa de Faro (assim mesmo, sem tirar nem pôr). Desliguei o televisor, porque tinha mais que fazer. Isto de chegar a casa, fazer o jantar, comer, dar de comer ao cão, levar o cão a passear e trazer o cão de passear distrai do resto. Até me esqueci da entrevista do primeiro-ministro, que, pelo que vejo nos blogues, não teve interesse por aí além, o que não admira, quando a maior preocupação da nossa massa crítica é o "fait-divers" dos projectos de engenharia. E do Sócrates passo para uma coisa que anda para aí nos blogues (nem polémica se lhe pode chamar), porque um tipo disse na televisão que anda para aí um blogue em que, alegadamente, assessores do Governo assumem a identidade de um qualquer cidadão para fazerem os fretes todos à política oficial, mas afinal o tipo existe mesmo e não não tem nada a ver com assessores, ai não que não tem, e não saímos disto porque há muita gente com pouco para fazer. Os blogues são isto, são o caos. Contam-se pelos dedos - metaforicamente, é claro - aqueles em que a um nome pode associar-se uma pessoa sem lugar para dúvidas. De resto, sejam assinados com alcunha descarada ou com nome e apelido que nada digam ao cidadão comum, valem apenas pela essência do que neles se escreve, devendo ser sempre muitas as reticências quanto às intenções que lhes subjazem. That's life, e perder tempo com isso é mera conversa de café.
A Leonor que me desculpe, mas eu quebro sempre estas correntes. E só respondo por o pedido ter vindo de uma das melhores blogueiras* desta choldra (parece mal, mas estou a parafrasear o Eça), na triste certeza de que não corresponderei ao desafio. Doze palavras, senhores, tenho de escolher as minhas doze palavras predilectas. Abrenúncio! Todas as restantes deste esburgado léxico me rogariam uma praga que faria corar de vergonha as do Egipto. São apenas uma dúzia, que outra dúzia poderá ser já amanhã. É que não me detenho muito na sonoridade das palavras. Isoladas, mesmo traduzindo conceitos bonitos ou oferecendo sonoridades melódicas, perdem todo o fascínio desse encadeamento que resulta na linguagem. Mas, enfim, prometi responder ao desafio. Podia armar-me em engraçadinho, reproduzindo doze meses do ano ou doze signos do Zodíaco. Mas não. Sem qualquer preferência e pela ordem alfabética que me parece ser regra do jogo, aqui ficam doze desses tijolos com que se erguem as mais deslumbrantes casas.
Adarve
Amorável
Azagaia
Cativar
Cornija
Gengibre
Imbricado
Partilha
Porto
Quimera
Sussurro
Telúrico
* apesar da aparente afinidade com aquele clube que, quando aqui é nomeado, surge sempre com minúscula e em corpo pequenininho.
Adarve
Amorável
Azagaia
Cativar
Cornija
Gengibre
Imbricado
Partilha
Porto
Quimera
Sussurro
Telúrico
* apesar da aparente afinidade com aquele clube que, quando aqui é nomeado, surge sempre com minúscula e em corpo pequenininho.
Etiquetas: blogues
Andam por aí alguns tenrinhos que, ufanos da condição de "watchdogs" da Imprensa que assumiram sem nomeação, apontam Barack Obama como o candidato favorecido pelos media. Se falam de Portugal perdem tempo e palavras, atendendo a que me parece improvável que os candidatos americanos leiam os nossos jornais. Porém, se se referem à Imprensa dos Estados Unidos, é evidente que não sabem o que dizem. O senador do Illinois acabou de ganhar as primárias da Carolina do Norte, e todos destacam que o conseguiu com a adesão maciça da população negra, algo que não puderam fazer quando ele venceu no Iowa, um estado "branco". Esta curiosa insistência em nada beneficia Obama, pois, tratando-se de um país onde a questão racial está longe de ser resolvida, carreará para outros lados muitos votos de democratas brancos. Aliás, o Conselho Editorial do "The New York Times", numa prática que não existe entre nós mas é de enorme credibilidade entre os americanos, já manifestou o apoio a Hillary Rodham Clinton.
Saber quem será a "pessoa mais poderosa do mundo" - Hillary tem o mérito de impedir que se fale no "homem mais poderoso" - é algo que, efectivamente, interessa a toda a gente. Era bom que assim não fosse, mas a verdade é que a pessoa que ocupa a Casa Branca (e quem a rodeia, e o que ela representa) é determinante para o pulsar do globo. Daí que os blogues, que ultimamente pretendem assumir-se como vanguarda da opinião, em detrimento da Imprensa, não possam passar ao lado do processo de selecção de candidatos que está em curso. E a generalidade encara isto como os campeonatos de futebol estrangeiros: é-se adepto de uma equipa (o Chelsea, porque lá estava o Mourinho, o Manchester United, por causa do Cristiano Ronaldo) que, na verdade, nada nos diz (embora eu conheça um tipo - português, claro - que é fã do Liverpool, acima de todos os clubes cá da terra), e discutem-se as vicissitudes desportivas ao sabor dessa apetência clubística.
Por isso, os comentários que se lêem nos blogues portugueses valem pouco, enquanto análise, mas tornam-se divertidos. A esquerda tem dificuldades em rever-se no Partido Democrático, mas, bipolarização oblige, não tem alternativa. E, dentro dessa facção, torce com mais intensidade por Barack Obama, quanto mais não seja por ser o único que, desde a primeira hora, esteve sempre contra a disparatada invasão do Iraque. Será esse, provavelmente, um dos argumentos a apontar pelo Daniel Oliveira, que nos promete explicar por que simpatiza com o senador do Illinois. Mas a diversão, como habitualmente, é dada pela direita. É que, em vez de se preocuparem com o "clube" deles, o Partido Republicano, também só se preocupam com a escolha do candidato dos democratas. Veja-se o João Miranda, que passa ao lado de John McCain, Mitt Romney ou Mike Huckabee, preocupando-se em torcer pela senadora Clinton (que votou favoravelmente a guerra do Iraque e, até hoje, ainda não soube descalçar essa bota), na medida em que apouca Obama: "o candidato dos media" (porque os media têm as costas largas, todos sabemos).
Ora, a verdade é que as primárias de New Hampshire ou os "caucuses" do Iowa, por mais que estes sejam apontados como estados-padrão estão longe de ser determinantes. De resto, estamos a falar da escolha de delegados para as convenções partidárias e, aí, parece-me que Obama continua em vantagem. Quando passar a "super tuesday" já haverá algo de palpável a dizer, mas, para já, tudo é circunstancial e folclórico.
Por isso, os comentários que se lêem nos blogues portugueses valem pouco, enquanto análise, mas tornam-se divertidos. A esquerda tem dificuldades em rever-se no Partido Democrático, mas, bipolarização oblige, não tem alternativa. E, dentro dessa facção, torce com mais intensidade por Barack Obama, quanto mais não seja por ser o único que, desde a primeira hora, esteve sempre contra a disparatada invasão do Iraque. Será esse, provavelmente, um dos argumentos a apontar pelo Daniel Oliveira, que nos promete explicar por que simpatiza com o senador do Illinois. Mas a diversão, como habitualmente, é dada pela direita. É que, em vez de se preocuparem com o "clube" deles, o Partido Republicano, também só se preocupam com a escolha do candidato dos democratas. Veja-se o João Miranda, que passa ao lado de John McCain, Mitt Romney ou Mike Huckabee, preocupando-se em torcer pela senadora Clinton (que votou favoravelmente a guerra do Iraque e, até hoje, ainda não soube descalçar essa bota), na medida em que apouca Obama: "o candidato dos media" (porque os media têm as costas largas, todos sabemos).
Ora, a verdade é que as primárias de New Hampshire ou os "caucuses" do Iowa, por mais que estes sejam apontados como estados-padrão estão longe de ser determinantes. De resto, estamos a falar da escolha de delegados para as convenções partidárias e, aí, parece-me que Obama continua em vantagem. Quando passar a "super tuesday" já haverá algo de palpável a dizer, mas, para já, tudo é circunstancial e folclórico.
Ah, Orlando, vem mesmo a propósito!...
1 Comments Publicado por POS - segunda-feira, 7 de janeiro de 2008 às 23:52.
Pois o meu camarada Orlando Castro (ele não gosta de "camarada", mas o termo não tem quaisquer conotações políticas, como muitos julgam, e é de há muito usado entre jornalistas, gente das letras, etc.) tem um blogue, o Alto Hama, que já foi alvo de uma acção como a que agora travou o Blasfémias. Na altura, ainda nos divertimos a "inventar" uma conspiração do "éme" (ele sabe o que é). Pega lá, Orlando, já te linquei! E como não estou para te oferecer música da tua terra, fico-me por uma aproximação, com Chico Buarque a cantar "Morena de Angola".
Ora aqui vai um título a modos que vermelho (não consigo pôr o título a vermelho...), para também aqui denunciar a vil sindicância de que está a ser alvo o Blasfémias, que alguém denunciou como blogue spam (sabiam que Spam é uma marca de carne enlatada, nascida de "spiced ham"?...). É o maior atentado terrorista na blogosfera portuguesa, desde que um hacker atacou o Abrupto. Mas as diferenças são várias: enquanto este último é mais repositório de textos publicados na Imprensa, fotos dos leitores, opiniões dos leitores e poemas em Estrangeiro (fica bem, pôr a maiúscula em Estrangeiro, enquanto nome de uma língua viva), o Blasfémias é dos mais dinâmicos blogues portugueses; enquanto o outro aproveitou o vil ataque para um choradinho que nunca mais acabava, os blasfemos reagem com bom humor.
De resto, a denúncia não merece interpretações políticas, sociológicas ou antropológicas. Foi obra de um palerma qualquer, coisa que abunda nesta nossa praia lusitana.
De resto, a denúncia não merece interpretações políticas, sociológicas ou antropológicas. Foi obra de um palerma qualquer, coisa que abunda nesta nossa praia lusitana.
Etiquetas: blogues
Há muito que aprecio o Da Literatura e o modo como Eduardo Pitta, que lia noutros meios, se adaptou ao tempo e à forma dos blogues. Mas o tempo e a forma, vi agora, atraiçoaram o co-autor, João Paulo Sousa, que desenvolve contracrítica numa base irónica absolutamente errada: não faz a menor ideia do que, historicamente e de facto, é a Associação Comercial do Porto.
É divertido verificar como um defensor fiel da actual Administração americana retrata o que deverá ser a rejeição daquilo que George W. Bush representa: "Parece que andam a escolher nos EUA quem é que a esquerda portuguesa vai odiar nos próximos 8 anos.".
Etiquetas: blogues
O rosa cueca fere-me as vistinhas, mas alguma vez haveria de o lincar... é agora
0 Comments Publicado por POS - segunda-feira, 31 de dezembro de 2007 às 00:56.
«Tenho pena e queria desejar-vos Bom Ano, que sejais felizes, mas só se me ocorre pedir-vos para desligar a televisão. Saiam à rua, encham os bares, obriguem os donos dos restaurantes a ligarem o aquecimento, iluminem as ruas de Lisboa com as luzes das vossas árvores de Natal, fujam dos centros comerciais e levem os vossos filhos aos jardins, namorem nos bancos dos parques e esqueçam que somos uma campanha publicitária chamada a Costa Oeste de Europa. Somos um país de gente pouco alegre, bem sei, mas também não merecemos estar sempre a levar nos cornos, caralho.»
Nem mais.
Nem mais.
Etiquetas: blogues
Se os blogues democratizaram, de algum modo, o acesso ao público de muita gente que permaneceria de outro modo na penumbra dos papéis escritos para a gaveta, é igualmente certo que são usados para potenciar estratégias pessoais de gente que já possui notoriedade. José Pacheco Pereira é o paradigma dessa segunda situação, o que não é de espantar nem de condenar, especialista que é na utilização do espaço mediático a seu favor. Todavia, peca pela vaidade: o auto-elogio encapotado por uma máscara de desprendimento, o desprezo pelos que o criticam na medida simétrica à simpatia pelos que o bajulam... Enfim, tudo isso pode resumir-se na forma olímpica como ignorou a brilhante desmontagem, feita por Paulo Querido, de mais um laudatório post em causa própria, sobre as audiências do Abrupto. A coluna de links ali ao lado serve, em parte, para que eu mesmo vá navegando por alguns blogues, para não estar a entupir os favoritos. Tenho de trabalhar nela, há ligações desactualizadas e revisões a fazer. Começo já: o Abrupto sai dali, com a certeza de que continuarei a passar por lá (sempre surge, por vezes, alguma coisa interessante) e de que a a perda da residual contribuição deste canto não fará, de modo algum, tremer os alicerces de tão eruditamente popular instituição virtual.
Etiquetas: blogues, eminências pardas, vaidade
