A criação do mundo


Cuba

Fidel sai de uma cena que já havia abandonado, e as alvíssaras ecoam pela blogosfera lusa, ufana da liberdade universal e de um sistema de harmonia auto-regulada aplicado a todo o mundo. Ora, parece evidente que o regime de Cuba, com toda a propriedade castrador e esclerosado, não presta. Uma revolução que triunfou enquanto quintal distante da União Soviética, que resistiu em quase asfixia ao fim da Guerra Fria e recebe algum oxigénio pago pelo petróleo do amigo Chávez, tem fracas perspectivas de sobrevivência. Mas a alegria generalizada é um disparate. Passo a passo, a ilha tenderá a ser, de novo, um quintal dos Estados Unidos. O Capitólio mantém-se, orgulhosamente, de pé, e todos os sucedâneos de Michael Corleone estão à espreita para recuperar o que julgam ter sido deles por direito divino. Quanto aos cubanos, ficarão sempre na merda, talvez com mais coca-colas, hamburguers e neon lights importadas de Vegas.

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Aquilo a que os americanos chamam "momentum"

Cartoon de Plantu no "Le Monde"

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Huckabee

Pregador criacionista, ultraconservador, reaça até mais não. Pior: apoiado por Chuck Norris!... Mas com sentido de humor, porque a isso são obrigados os candidatos norte-americanos. Mike Huckabee no "Colbert report".

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Breaking news

Vitórias expressivas de Barack Obama no Nebraska e no estado de Washington, embora os resultados ainda sejam parciais. Se Obama é o meu candidato, por ridículas que sejam estas declarações de apoio nos blogues portugueses, mais o é pela percepção que começa a haver de que Hillary Clinton estará mesmo dependente dos superdelegados, ou seja, das manobras de bastidores entre as elites partidárias, mesmo que ao arrepio do voto popular. E mais: a antiga primeira dama usa golpes baixos. Foi a única a apresentar-se às primárias do Michigan e da Florida, que haviam sido descartadas pela estrutura central do Partido Democrático, e quer agora, em tribunal, que os delegados correspondentes lhe sejam atribuídos...

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Se eu fosse americano...


... votava no tipo certo. Pelo menos, o teste diz que não me enganei.

(via Blasfémias)

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Super tuesday 2

Nisto das primárias americanas, é curioso lembrar que, em muitos estados, não temos democratas a escolher democratas e republicanos a escolher republicanos. Os eleitores designam o candidato da própria cor e o adversário que pretendem. Ou seja, têm sempre mais do que uma palavra a dizer e, seja qual for o desfecho nas eleições de Novembro, tê-lo-ão influenciado. Do lado dos democratas, Obama parece-me ser o que melhor aborda a globalidade dos eleitores, enquanto Clinton parece encostada ao peso do aparelho partidário. Triunfando em menos estados, a ex-primeira dama conseguiu os mais representativos (Califórnia e Nova Iorque à cabeça), mas o senador do Illinois contrariou as previsões de há uns tempos e manteve a corrida absolutamente aberta. É difícil alhearmo-nos das questões de raça e de género, que estarão a ter um peso muito importante neste processo, mas, para quem vê de fora, o ligeiro ascendente de Hillary cheira mais à força do conservadorismo num país em que as mentalidades estão longe de ser abertas.

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Super tuesday

Trabalho oblige, ponho-me a esta hora a ver os resultados das primárias americanas. As vitórias de Clinton em Nova Iorque e no Massachusetts (apesar da posição do clã Kennedy) indiciam a apetência por mais do mesmo. Parece-me que do que Obama precisa mesmo é de um milagre na Califórnia, mas não me cheira a milagres. Vou levar o Sancho à rua e dormir, que isto não nos diz respeito. Temos Cavaco, temos Sócrates, e a taróloga Maya anima as manhãs da televisão. Que mais poderá querer um país civilizado?

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Barack-tober



As promessas eleitorais de Barack Obama no talk-show de David Letterman. Pegando nas últimas presidenciais portuguesas, imaginem Cavaco, Alegre ou Soares a fazer o mesmo. Pois, não imaginam...

(via Blasfémias)

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Obama e os media

Andam por aí alguns tenrinhos que, ufanos da condição de "watchdogs" da Imprensa que assumiram sem nomeação, apontam Barack Obama como o candidato favorecido pelos media. Se falam de Portugal perdem tempo e palavras, atendendo a que me parece improvável que os candidatos americanos leiam os nossos jornais. Porém, se se referem à Imprensa dos Estados Unidos, é evidente que não sabem o que dizem. O senador do Illinois acabou de ganhar as primárias da Carolina do Norte, e todos destacam que o conseguiu com a adesão maciça da população negra, algo que não puderam fazer quando ele venceu no Iowa, um estado "branco". Esta curiosa insistência em nada beneficia Obama, pois, tratando-se de um país onde a questão racial está longe de ser resolvida, carreará para outros lados muitos votos de democratas brancos. Aliás, o Conselho Editorial do "The New York Times", numa prática que não existe entre nós mas é de enorme credibilidade entre os americanos, já manifestou o apoio a Hillary Rodham Clinton.

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Home of the brave

Saber quem será a "pessoa mais poderosa do mundo" - Hillary tem o mérito de impedir que se fale no "homem mais poderoso" - é algo que, efectivamente, interessa a toda a gente. Era bom que assim não fosse, mas a verdade é que a pessoa que ocupa a Casa Branca (e quem a rodeia, e o que ela representa) é determinante para o pulsar do globo. Daí que os blogues, que ultimamente pretendem assumir-se como vanguarda da opinião, em detrimento da Imprensa, não possam passar ao lado do processo de selecção de candidatos que está em curso. E a generalidade encara isto como os campeonatos de futebol estrangeiros: é-se adepto de uma equipa (o Chelsea, porque lá estava o Mourinho, o Manchester United, por causa do Cristiano Ronaldo) que, na verdade, nada nos diz (embora eu conheça um tipo - português, claro - que é fã do Liverpool, acima de todos os clubes cá da terra), e discutem-se as vicissitudes desportivas ao sabor dessa apetência clubística.

Por isso, os comentários que se lêem nos blogues portugueses valem pouco, enquanto análise, mas tornam-se divertidos. A esquerda tem dificuldades em rever-se no Partido Democrático, mas, bipolarização oblige, não tem alternativa. E, dentro dessa facção, torce com mais intensidade por Barack Obama, quanto mais não seja por ser o único que, desde a primeira hora, esteve sempre contra a disparatada invasão do Iraque. Será esse, provavelmente, um dos argumentos a apontar pelo Daniel Oliveira, que nos promete explicar por que simpatiza com o senador do Illinois. Mas a diversão, como habitualmente, é dada pela direita. É que, em vez de se preocuparem com o "clube" deles, o Partido Republicano, também só se preocupam com a escolha do candidato dos democratas. Veja-se o João Miranda, que passa ao lado de John McCain, Mitt Romney ou Mike Huckabee, preocupando-se em torcer pela senadora Clinton (que votou favoravelmente a guerra do Iraque e, até hoje, ainda não soube descalçar essa bota), na medida em que apouca Obama: "o candidato dos media" (porque os media têm as costas largas, todos sabemos).

Ora, a verdade é que as primárias de New Hampshire ou os "caucuses" do Iowa, por mais que estes sejam apontados como estados-padrão estão longe de ser determinantes. De resto, estamos a falar da escolha de delegados para as convenções partidárias e, aí, parece-me que Obama continua em vantagem. Quando passar a "super tuesday" já haverá algo de palpável a dizer, mas, para já, tudo é circunstancial e folclórico.

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Caucuses

Barack Obama e Mike Huckabee venceram os "caucuses" do Iowa, arranque do longo processo de selecção dos candidatos à presidência dos Estados Unidos, e anda já tudo a ditar sentenças extemporâneas. Em especial, quanto à alegada surpresa que constitui o êxito parcial de Obama, em contraste com o revés de Hillary Clinton (terceira, atrás de John Edwards). Se o candidato afro-americano vencer as primárias de New Hampshire, aí já algo mais pode ser dito, mas a verdade é que, ontem, triunfou num estado da região onde é mais influente, o Midwest.

[enfim, vamo-nos divertindo com os comentadores, como aquele que há pouco, na RTP-N, destacava o apoio de "Ópera Whitney" (sic) a Obama, era incapaz de distinguir "caucuses" de primárias e pronunciava New Hampshire com o i bem aberto (hampsháier), erro comum que consistirá na transferência para as palavras compostas do radical "shire", que, assim isoladamente, se lê mesmo "sháier", enquanto Yorkshire, Lancashire, Cheshire ou Hampshire mantêm o i fechado, lendo-se "shi" exactamente como em sushi... excepto na Escócia, onde fazer rimar Hampshire com fire está certo... penso eu de que]

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