A criação do mundo


Sugar mice in the rain

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A gmftskjdsgh da chuva não pára, e eu estou, realmente, sem disponibilidade mental para blogar. "Sugar mice", dos Marillion, posto aqui apenas para picar o ponto.

Apito

Se era suposto eu escrever alguma coisa sobre este filme do "Apito final", aqui fica. Em Portugal, é comum ser adepto de futebol, e essa é uma condição que tolhe a racionalidade. Em Portugal, que tem, cada vez mais, um só centro de decisão, os cordelinhos são maioritariamente movidos por gente que, mais do que nas virtudes da pátria ou no milagre de Fátima, acredita nas propriedades patogénicas do presidente do F. C. Porto. Ou seja, como os que mandam e julgam, regra geral, odeiam mais o Pinto da Costa do que amam as próprias mães, é impossível que haja equilíbrio. Adeptos que são - e essa é a camisola que mais custa a despir -, agem como tal, mesmo que escondidos atrás do diáfano manto da incorruptibilidade.

P.S. - E mais, não posso deixar de dizer mal desse "Lone Ranger" fanhoso que encheu os programas televisivos, dizendo que é bom todos os dias e que, fizesse ele as leis, mais implacável e justiceiro seria.

O esférico rolando sobre a erva

"Faltava sermos eficientes na hora da eficácia na finalização."

Ulisses Morais, treinador da Naval 1.º de Maio

Só me saem duques

Nem estou, agora, a falar do Duarte Pio, que esse até passa por duque dos verdadeiros, junto à sua Isabelinha e à viçosa prole que faz fila indiana para chefiar esta nobre Nação de heróis do mar e covardes em terra. Refiro-me aos monárquicos de pacotilha que restauram a coroa em fóruns na Internet, fazendo-me lembrar tanto os castiços dos amigos de Olivença como os nacionalistas de extrema-direita. Eu explico: tal como os que pensam que Espanha vai abdicar daquela antiga praça portuguesa, estes realistas de trazer por casa devem, apenas, sentir um fascínio especial pelas causas perdidas; depois, seguem na senda dos nacionalistas/neofascistas, até à data os únicos que me haviam honrado com insultos anónimos.

Estamina

Há dias assim, em que a baixaria à nossa volta nos dá vontade de desistir de tudo, como se tivéssemos vindo bater por engano à porta do mundo. São dias, nada de preocupante, pois o instinto de sobrevivência traz-nos, quando menos esperamos, a estamina que nos faz seguir em frente e olhar o espelho com algum orgulho.

Da inocência

À falta de assunto para postagens, e com a patusca colaboração da causa monárquica, o blogue vai-se fazendo na caixa de comentários da entrada anterior. Para desanuviar, Tom Waits está de regresso, com "Innocent when you dream". Que seria deste mundo e desta vida sem a inocência dos sonhos?...

Onde pára a República? *

Manuel Maria Filipe Carlos Amélio Luís Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis Eugénio de Bragança Orléans Sabóia e Saxe-Coburgo-Gotha herdou, inopinadamente, não o trono mas o estertor da monarquia. Não nascera para ser rei, tal como o pai, Carlos Fernando Luís Maria Vítor Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis José Simão, das mesmas casas, com excepção do Orléans que viria a ser transmitido a Manuel pela mãe deste, Marie-Amélie Louise Hélène d’Orléans, D. Amélia na simplificação portuguesa.

Não serve o parágrafo precedente, apenas, para pôr os leitores com os bofes de fora. A toda esta distância do tempo em que os últimos reis de Portugal foram baptizados, os nomes completos transmitem, mais do que a curiosidade histórica, algum anacronismo que só nas revistas cor-de-rosa parecia fazer sentido. Mas já não é apenas isso. As efemérides, cuja celebração, no século XIX, era uma forma mais ou menos encapotada de propaganda republicana, estão a ser, agora, pretexto para um revivalismo monárquico com visibilidade que aparenta ser desproporcional à popularidade da causa. Duarte Pio de Bragança, pretendente a algo que não existe, o trono, lançou as monarquias abertas e é motivo, aqui e ali, para notícias de grande destaque, em que não faltam o reverencial tratamento por “dom” ou a referência a títulos nobiliárquicos que não existem na nossa ordem jurídica.

Têm os monárquicos, obviamente, toda a legitimidade para batalhar pela causa que abraçaram. Democracia é isso, e monarquia não é, de forma alguma, um conceito antidemocrático. Choca, apenas, com a ética republicana que, numa sociedade entorpecida, é vista como coisa de intelectuais, com esse toque pejorativo que a boçalidade confere ao termo. Dessa ética, assente no acesso de todos a todos os patamares do edifício estatal, releva o dever de participação dos cidadãos. Dentro de dois anos será celebrado o centenário da República. Um tempo de festa e de balanço, em que todos os republicanos deverão perceber que os ideais não são eternos: existem para ser assumidos em permanência, isto é, neles participando. Vivendo-os e não abdicando da cidadania.


* comentário publicado hoje, no JN, a propósito do centenário da aclamação de D. Manuel II

Arqueoblogologia

Às vezes, não sei se apenas quando estou distraído, lá me vai saindo alguma coisa com relativo interesse. De vez em quando, vou às catacumbas da minha instável blogocarreira, ver se era mais ou menos parvo quando isto começou. Desço ao famoso Verão de 2003, o decisivo impulso dos blogues em Portugal, e sinto vontade, sem mais nem porquê, de reproduzir um parágrafo que escrevi no seminal Cerco do Porto:

«Anonimato

«O que é o anonimato? Uma fuga à responsabilidade? Pressuporia isso que um nome nos responsabiliza, mas essa não será uma asserção muito válida. Nada nos torna mais responsáveis do que a consciência. Esta, sim, faz-nos prezar a integridade associada ao nosso nome. O nome, em si, poderia ser outro qualquer. Ser anónimo, até nisto dos blogs, pode significar a tentativa de preservação de uma certa integridade, uma forma de evitar que outros nos manchem o nome por desdém, por raiva, por ressaibo. Dizer o que se pensa, no mundo real, onde pessoas reais movem influências reais, às vezes movidas por mesquinhez, pode ser um risco, mas dizer o que não se pensa ultrapassa desde logo os limites do risco, tornando-se a autocondenação da tal integridade. Enquanto espaços de liberdade e de impulsividade, os blogs podem ser assumidos, anónimos, pretos, brancos ou rosados com pintinhas amarelas. A consciência, esteio da responsabilidade, tem a cor da coerência e a forma dos princípios, estando ou não associada a nomes. Pela parte que me toca, vou ficando por uma espécie de semianonimato. As iniciais que aqui aparecem são as minhas, e em caso algum, se a questão se colocar, negarei que sou eu. Às ideias, boas ou rançosas, um nome pouco acrescenta, à parte o intenso tempero do preconceito.»

Eles andem aí!...


Ao longo desta semana, há que ter cuidado no trânsito, cuidado a atravessar, cuidado nos transportes públicos, cuidado na escolha dos restaurantes, cuidado na hora de ir beber um copo, cuidado ao adormecer, cuidado ao acordar, cuidado na via pública, cuidado nos jardins privados, cuidado junto ao mar, cuidado à beira-rio, cuidado em casa, cuidado fora de casa, cuidado de manhã, à tarde e à noite, cuidado com os cães, os gatos, os periquitos, os morcegos, os pinguins...

First of May




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