
«Fumo, sim senhor, porque considero esse prazer como um dos poucos que, na jornada da vida, estão ao meu alcance.
«O que fumo? Uns cigarros quaisquer, porque cigarro é um tubo de onde desencanto utopias...
«Por que fumo? Porque gosto, porque enfermo dessa doença de que posso muito bem morrer mas para a qual não procurarei nunca remédio.»
José de Almada Negreiros
Civilização, Porto, 9 de Janeiro de 1936
(imagens do programa televisivo Zip-Zip, 1969)
* apenas porque a sobranceria asséptica desta lei, que proíbe totalmente sem proibir totalmente e transforma os fumadores em marginais de vão de escada, quase me obriga a protestar de cigarro em punho, cumprindo-a e desprezando os copinhos de leite que, sórdidos, riem em surdina de quem vêem a fumar à porta dos restaurantes.
Bom post. Este governo ditatorial, salvaguardado pela ditadura de Bruxelas, impõe e transforma todo um país e uma tradição a seu bel-prazer e sem se preocupar minimamente com o que outrora dava pelo nome de liberdade. Qualquer dia somos todos robots... Entretanto, uma maioria de portugueses (ou então fazem muito barulho) que a cada dia que passa me fazem arrepender mais de nunca ter emigrado definitivamente, expressa o seu fundamentalismo asséptico e declara-se alérgico ao fumo do tabaco, declarando ter sido vítima dos fumadores durante a vida inteira. O que estes portugueses gostam é de malhar no parceiro. Infelizmente, para além disso, são acéfalos e prontos a engolir todas as ideias que lhes queiram vender...